quinta-feira, 14 de julho de 2011

Cemitério do Campo Santo - Salvador Bahia




A História registra exemplos clássicos de resistência a estas práticas e a título de exemplo, pode ser citada a “Cemiterada”, ocorrida em Salvador – Bahia, no ano de 1836, no qual uma multidão inconformada destruiu o Cemitério do Campo Santo dois dias após a sua inauguração. Este episódio é magistralmente narrado na obra de João José Reis (REIS, 1991, p.13).
Vencida a fase de resistência e adaptação a estes novos espaços de sepultamento, novos usos e construções imaginárias passam a lhes ser atribuídas. Resultantes do avanço e consolidação da burguesia e do capitalismo como sistema econômico predominante no mundo, especialmente ocidental, os cemitérios passam a ser utilizados como lugares de construção de memória, poder e status.
Será nestes espaços que artes e artistas irão imprimir uma nova maneira de cultuar os mortos e de produzir uma nova mentalidade naquilo que diz respeito aos fins últimos do homem. 
As pesquisas desenvolvidas no Cemitério do Campo Santo, em Salvador, compreendem o primeiro estudo sistemático sobre a História e Memória, preservada no mármore dos túmulos importados de Lisboa, no século XIX. O pioneiro nesta temática fúnebre na Bahia e no Brasil foi Clarival do Prado Valladares, que analisou a Arte e Sociedade nos cemitérios brasileiros, abordando também este Cemitério. Sua obra é referência para os estudiosos da área, assim como o modo criterioso e ponderado com que tratou a arte funerária, contribuindo para quebrar o “tabu” em relação ao tema.
No Cemitério do Campo Santo estão contidas as representações da História e Memória visual da cidade de Salvador, no quesito arte funerária, tanto quanto o processo de luto vivido até o século XIX, cuja forma de expressão foram os túmulos e mausoléus em mármore, importados de Lisboa e Itália, “expressões funerárias, intimamente ligadas à preservação da memória individual e coletiva, importantes formas de estudo” (KOURY, 1999, pp.75-76).
Atualmente o Cemitério do Campo Santo desenvolve um projeto denominado Circuito Cultural sobre a responsabilidade da Museóloga Jane Palma, vinculada a Santa Casa de Misericórdia. Esse circuito cobre alguns monumentos dos vários existentes no local. O circuito conta com informações acerca dos sepultados e a simbologia estética das obras que compõem os monumentos. O agendamento para as visitações é realizado através da Santa Casa de Misericórdia que disponibilizará um guia para orientar os visitantes, a princípio essa atividade é gratuita, não é possível encontrar um guia no Cemitério a disposição devido ao baixo fluxo de visitantes no local, o que nos leva a enfatizar a necessidade de mais divulgação e atenção para esse espaço cultural.

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